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21.10.13

Reconstrução da Mama


O câncer de mama é uma espécie de fantasma que assusta toda mulher, já que os seios são um símbolo feminilidade. Muitas vezes a cura envolve a mutilação das mamas, colocando em risco também a saúde psíquica da mulher. Restaurar o contorno feminino após um procedimento traumático é uma tarefa difícil e, ao mesmo tempo, recompensadora. Porém, requer amplo conhecimento de todas as técnicas disponíveis para reconstrução, além de habilidade e formação técnica para ser capaz de reproduzi-las.
Aproveitando o mês do Outubro Rosa, vamos desmitificar o tema que tanto aflige as mulheres, já que o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres.
Desde maio de 1999, já existia a Lei 9.797/1999 que previa que mulheres que sofressem mutilação total ou parcial de mama (mastectomia) teriam direito a cirurgia plástica reconstrutiva, mas sem especificar o prazo em que ela deveria ser feita. E em abril deste ano, foi sancionada a lei 12.802/2013, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer a cirurgia plástica reparadora da mama no mesmo tempo cirúrgico que a retirada do câncer, quando houver condições médicas.
A decisão do tipo de reconstrução mamária a ser feita deve ser tomada juntamente com o mastologista e a paciente. Dependendo da extensão da ressecção da glândula mamária, da idade da paciente, de cirurgias prévias e o desejo da própria paciente, várias são as técnicas utilizadas para restaurar a forma das mamas.
A utilização de implantes mamários é de longe o método mais empregado na reconstrução mamária. Trata-se de cirurgia tecnicamente mais simples, de tempo cirúrgico reduzido e sem adição de novas cicatrizes. Indicado para pacientes de todas as idades, mas necessita de que haja preservação do músculo peitoral maior (que fica logo atrás do tecido mamário) para que o mesmo possa cobrir a prótese e evite a extrusão da mesma. Além disso, é necessário que exista excesso de pele para que a ferida consiga ser fechada sobre a prótese. Caso isso não seja possível, a colocação do implante deve ser precedida por implantação de um expansor tecidual. O expansor funciona como uma bexiga, que, de tempos em tempos, o cirurgião plástico vai enchendo-a com soro fisiológico. À medida que o expansor “cresce”, a pele sobrejacente vai sendo distendida e cria-se um espaço suficiente para que a prótese possa ser colocada posteriormente.
Em alguns casos, o músculo peitoral não é preservado, prejudicando a cobertura muscular do implante, ou a ressecção de pele é muito extensa, o que impossibilita o fechamento imediato do defeito. Nesses casos, e se ainda a paciente deseja ter sua mama reconstruída com uma prótese de mama, utiliza-se o retalho miocutâneo de grande dorsal, associado ao implante, para reconstituição tanto da pele quanto do músculo retirados.
O músculo grande dorsal encontra-se na região posterior do tórax e sua remoção não causa déficit motor significativo. A cicatriz resultante da sua retirada geralmente fica no sentido transverso do tórax e pode ser escondida pela alça do sutiã.
Quando a paciente não quer reconstrução com implante mamário, uma excelente opção é o uso do retalho do músculo transverso do abdome. A técnica se assemelha à cirurgia de plástica abdominal; porém, ao invés de desprezar o excesso de pele e gordura abaixo do umbigo, utiliza-se esta região, associada ao músculo reto abdominal (que é quem irá nutrir a pele) para preencher o local da mama retirada. A vantagem dessa técnica é a que a reconstrução fica mais natural no que diz respeito à aparência e textura. Mas nem toda mulher é candidata a esta modalidade, já que existem algumas condições que contra-indicam sua escolha.

Se, infelizmente, você desenvolver o câncer de mama ao longo da vida, não se culpe e não tenha medo. Atualmente, os tratamentos oncológicos têm ótimos índices de cura quando iniciados precocemente e as reconstruções mamárias são grandes aliadas na recuperação da auto-estima da mulher.
Lembrem-se sempre de fazer o auto-exame das mamas mensalmente e procurar o seu ginecologista para um exame mais apurado (mamografia ou ultra-som das mamas) após os 20 anos. A prevenção é a forma mais eficaz de diagnóstico precoce da doença.

Patrícia Noronha de Almeida
Formação: Medicina - Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG); Residência em Cirurgia Geral - Hospital Universitário São José (HUSJ); Residência em Cirurgia Plástica - HUSJ e Especialização em Microcirurgia - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Atuação: Membro Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; Cirurgiã Plástica do Corpo Clínico do Biocor Instituto; Preceptora da Residência em Cirurgia Plástica do HUSJ; Cirurgiã Plástica de reconstrução de Mama no Instituto de Previdência do Servidor Estado de Minas Gerais (IPSEMG) e Plantonista no pronto socorro do Hospital Municipal de Contagem.

Ainda está com algumas dúvidas sobre o assunto? Então envie para nós pelo campo de comentários logo abaixo do texto, que a Doutora Patrícia Noronha irá esclarecer. Quer saber sobre outro procedimento cirúrgico? Envie sugestões de pauta para contato@vacasepoderosas.com.br ou deixe nos comentários abaixo.

"Imagens retiradas do Google.

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